quinta-feira, dezembro 15, 2016

Equação

Quando a porta abre e o lampejo dos dentes ardem os olhos
feito um clarão de adornos que faz doer o coração
A marca do palmo que mede as distâncias dos centímetros
viram quilômetros extrapolados

Pura estatística enviesada, matemática sem vergonha
Todo mundo fez as contas, toda essa gente vê a nossa soma
Vê o mundo que nos divide e que se multiplicasse o que a gente tem
nós seríamos o mesmo.

E ao mesmo tempo seríamos essa raiz quadrada de números quebrados,
porque não somos inteiros
Seríamos o resultado que deu errado nessa equação porque em números negativos,
quanto mais se soma, maior se torna a perda.

Mas o que essa gente toda não vê é que nesse mundo de números infinitos,
nós somos apenas uma estimativa.




domingo, outubro 09, 2016

Zumbido

Palavra, tom e gesto
Perco e quero desafinar o som
E cancelar o pulso do desassossego
Se esse é o preço, ei de divagar
No mar dessas incertezas
E me deixar levar pelo acaso do ser

Que impedido de ver, esquece que supõe que
O estar só é mais que um dó na escala de Caetano
E que sem planos há de perder a vontade de ter,

E já não sei mais o porquê, mas às vezes viver
Parece que dói tanto

Cadê o lugar que trouxestes pra me acalmar?
Se estou tão melhor ao perder,
Então me diz: por que não sinto vibrar meu coração?

Me dê sua mão, e me faz entender que o melhor de viver
É poder esquecer de antemão

Verbo, toque e zumbido
Descubro o vão dessas certezas
E contraio o nó dado na leveza de ser
Que é tão incompleto de ver que devo inspirar
O ar sem delicadeza
E me deixar inflar de erros por esquecer

Que no verbo incauto do dizer,
Não há lá se não houver notas pra tocar
Os ensaios vazios de coerência e de som

E mesmo se eu soubesse o porquê,
às vezes viver causa uma dor e tanto

Esqueça que reinventamos o  lugar,
Se o que dizes o faz apenas por dizer ,
Então por quê demonstras o contrário em vão?

Recolha a sua mão, e deixe-me ver que a vida é
história vivida para libertar o nosso coração



domingo, julho 24, 2016

Dedução

Dizem que o coração é apenas um músculo que bate para fazer o seu sangue circular. Disseram que é a nossa cabeça que inventa todas as coisas do corpo, e que não se estendem além disso. Que um amontoado de células nervosas movem todos os seus sentimentos e pensamentos.

Mas por que, diante de toda essa introjeção de reflexos, você que é a imagem que vejo de mim, parte externa de quem eu sou, funciona como um segmento que ajuda a controlar os batimentos do meu coração?

Dizem que é ato impensado. Disseram que alguns sentimentos são irracionais. Que o corpo responde instintivamente à vida por causa do aprendizado riscados nas árvores genealógicas do ser humano.

Mas por que, na árvore que cresce a história da minha vida, você veio veio para riscar uma linha e plantar uma semente em mim?

Dizem que o amor cresce feito árvore de casca suberosa pra ser marcada ao resistir aos intempéries da vida. Disseram que as linhas não fazem o amor, elas o entrecruzam para criar novos traços na história do mundo.

Então eu entendi, olhando pra você através de mim, todas as formas abstratas que te expressam como ser humano. E que, se não é o amor que realmente se expressa pelo coração, as minhas sinapses criaram um campo magnético com um raio tão grande que te alcançou.

E você me encontrou.





quinta-feira, maio 26, 2016


"Will you do the best you can?
And I could use a little time. 
I need to straighten on my mind. 
And I'm gonna break on, break on through. 
And I close my eyes and think of you."

segunda-feira, setembro 07, 2015

Quadrante das horas























Ele sabe ajustar os ponteiros do relógio para desorientar os instantes, tornando-os tão devastadores e bagunçados que perdem o seu sentido horário, não sabendo mais para que lado devem seguir. Sabe que no meio dos meus segundos, existe um intervalo que confunde o lugar das mãos, e que em horas assim, as minhas pernas já não sabem o que fazem: se fogem ou se abrem um buraco no chão pra se fincarem feito raízes, e dali não saírem nunca mais.
Ele sabe provocar as pausas no tempo deslizando os dedos entre os minutos, apertando as agulhas contra os quadrantes, fazendo o relógio parar e indicar que ele pode ficar naquele instante por horas, e eu praticamente imploro pelo sentido contrário dos ponteiros para deixar o tempo voltar, e eu então poder arrumar o lugar pra ele poder, enfim, ficar.



domingo, abril 12, 2015

Sombra

De repente, eu me escondi na sombra, e vi o meu corpo, coberto de abstrações, passear pelas estórias que eu havia criado pra mim e desapareci no esquecimento das coisas boas que não acontecem. Por comparação, eu vejo que existe uma luta necessária para viver dentro dos sonhos bons, e que talvez seja uma batalha que não pode ser lutada por ou pra mim. O tempo é aliado de quem nessas horas? Existe uma espada pra ser levantada por mim nessa guerra de querer ganhar todos os clichês?
Eu sei que não existem moldes corretos a serem seguidos porque cada sociedade cria e se baseia no seu próprio modelo, e que esse estereótipo que eu quis pra mim advém das coisas sentidas por querer imitar algum cotidiano que eu acredito que serviria pra me encaixar dentro do mundo de um só que eu inventei.
Deveria ser fácil ser o espectro que anda entre as vidas que eu teria vivido, que eu me vejo vivendo e que não se tornam realidade, mas eu virei a sombra que geralmente some no escuro que ninguém vê, e que se adequa a qualquer feixe de luz. Não questiono a resiliência, indago as atitudes. O que esse mar de palavras vai fazer com a gente? O que essa imensidão de lembranças vai fazer comigo?
Eu espero profundamente que a vida não seja cíclica, e que na linearidade das coisas que acontecem, eu possa realmente deixar algumas coisas pra trás: o tipo de amor que machuca, os abraços que deixam uma falta que sufoca, as surras beijos que nunca mais serão dadas, as brincadeiras que não serão mais feitas, as mentiras que foram ditas, as vezes que me encolhi na cama de tanto chorar, o desespero de não entender, a impotência de não poder lutar, os apelidos, os lugares que não serão mais visitados, os momentos de estranheza, as palavras que doem, a angustia que dilacera o peito, os sentimentos que não duram e a tristeza de desistir.


"Eu pensei em deixar você, me livrar da dor e voar. Eu pensei em deixar você, me livrar da dor e crescer..."






domingo, fevereiro 22, 2015

Chiesta

Eu fiquei me perguntando se havia telefone em Manaus.
Se há lugar do lado. Se tinha um lugar no carro.
Se ainda estava dentro do abraço.


Indaguei-me se ao menos havia um espaço, um lugar no altar.
Se há um lugar pros dedos, um espaço pros beijos.
Se havia um assento marcado, um convite guardado.


Perguntei se tem vaga pro riso, um canto escondido.
Se algum avião poderia me levar embora.
Se alguém não me deixaria passar da porta.


Quis entender o sentido, tão unidirecional, do egoísmo.


Tarja preta



Tarja preta


A minha felicidade está dividida em 28 pedaços
que se espalham em uma caixa preta, e se dissolvem
em sucos gástricos de tristeza.

Partes dosadas que não me livram do desalento dos
dias contados em que hei de pensar na morte.
E que o sinônimo de ser forte é ter olhar triste,
caminhar hesitante e um pesar na sorte.


Metades tomadas por inteiro pra ter a fixada
adinamia arrancada do peito pelos intervalos de clarão
e noite das horas plantadas no corpo lacerado.


Um todo contristado feito de refúgio e coração.
Repartido por horários,
Repetido nos vocabulários,
Como máculas de desistência e substituição.


Um meio de fechar o olhos,
e pedir que o tempo páre.
Uma parte destoada da melancolia.
E um todo que diverge da alegria desses dias.

Desabitado de mim

O fato é que eu não consigo esquecer alguns detalhes, uns contornos também. Pedaços inteiros.
O coração está retraído e distraído com tantos impasses, tamanhos embates esses que fazem do sentimento essa prisão. Possuo grades contorcidas no peito, e estas me rasgam a pele.
O que te lembras quando digo: S-I-M-P-L-I-C-I-D-A-D-E.
São as coisas singelas. As coisas pequenas que contam: Esse seu olhar, essa sua boca.
Coisas pequenas, meu caro. Coisas que rodam a vida.
Então vem o descontrole, e é pelo tamanho descuido com as palavras que deixo o peito nesse imenso devoluto. O vazio de não-saber. Que deixo este desmedido corpo desabitado de mim. Ora cansado, ora exausto. E outrora espalhado por estas ruas que passo de olhos fechados.
Ruas que me lembram as chuvas e as brigas. O silêncio e os sorrisos.
Ruas que são feitas de Barros, Osório e Filho.

Cartas de amigos

Cartas de amigos


De: Rafinha.

Date: Sat, 6 Sep 2008 06:01:26


"Sabe, queria te dar um abraço bem forte e verdadeiro, desses bem apertado e cheios de sentimentos para quando te largar tirar de ti toda essa falta, tristeza e dor que sentes. Infelizmente acho que a distância me impede, mas como eu queria isso...como queria ver alguém que me trata com tanto carinho sem ao menos ter contato pessoal sorrir o mais belo dos sorrisos, ver um brilho a mais em teu olhar, enfim, ver-te feliz. Fica sempre bem, menina mais bonita que já vi. Adoro você, mesmo na distância."


Resposta:


De: Carol

Date: Sat, 6 Sep 2008 06:01:26







Invertido

É o inverso. Reverso. Contrário.
O lado oposto do desgosto.
O corpo do avesso.


Sorrisos.
Inúmeros deles.
E o teu como vaga lembrança preenchendo o vazio.

Rodopios

Até inconciente sente.
Pesado de lembrança,
cansado dessa apatia
E da lassidão latente das horas,
sem ver-te.

Pílula simulando a quietude,
é como parar de sentir,
E nos rodopios das ruas
Um sinal de fogo
Fugindo de carro.

Escurecendo os atalhos,
e as esquinas em retalhos
Saudando o desespero
De braços abertos e
O vazio do dia sem você.

Entrelinhas


Correndo
Entre os
Zéfiros,
Afastado dos seus
Ruídos.

{E.M}

Despedida

Rubem Braga

E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perda da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.
Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.
E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?
Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.
Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.
A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.

Mantra I

Eu preciso te esquecer.
Eu preciso te esquecer.
Eu preciso te esquecer.

Eu preciso te esquecer.
Eu preciso te esquecer.
Eu preciso te esquecer.

Eu preciso te esquecer.
Eu preciso te esquecer.
Eu preciso te esquecer.

Preciso.

Engrenagem

Quanto tempo demora pra perdemos alguém?

A cidade nunca para. O tempo não congela. Só que o coração, ás vezes, parece parar no tempo. Bem naqueles detalhes, aqueles olhares. Aquela boca que você fica prestando atenção quando abre um sorriso.

Ele para nos abraços, nos beijos, nas conversas, no toque, no jeito. Esse é o relógio que não continua. E tudo se desfaz em lembrança, essa é a engrenagem que pára a nossa cabeça mesmo que se passem cinco meses ou cinco anos.

A pessoa fica presa naquele dia que passou há dez anos atrás. Naquele segundo antes de dizer adeus. Naquela hora em que precisa tomar uma decisão. Naquela primeira vez em que você realmente viu quem precisava ver, e também nas horas em que falhou com alguém.

Gostar é algo complicado, principalmente se o corpo da pessoa que você quer amar continua seguindo no sentido horário, até mesmo anos-luz do teu corpo, enquanto o seu não para de voltar no tempo, e nem sequer segue um segundo com ele.

A luz desloca-se numa velocidade de aproximadamente 300 mil quilômetros por segundo, nada viaja mais rápido do que ela, sendo assim o ano-luz vale 9 460 536 207 068 016 metros. Aonde essa pessoa deve estar agora?

E você? Se você for como eu vai estar parado naquele minuto. Naquele segundo. O tempo passou, mas parou o seu coração.

E no meio disso tudo talvez alguém te sacuda, talvez alguém te dê um choque, talvez alguém te desperte e te faz seguir mais rápido que a velocidade da luz. Talvez. Só que até lá eu continuo presa em alguns desses momentos.

Não adianta forçar que o tempo siga pra você. Isso tem que acontecer do seu jeito. Esquecer pode demorar, mas tudo se deteriora. Você repete tanto essas lembranças em sua cabeça que os detalhes vão se perdendo, e você vai esquecendo. E o que vai ficar em você serão as coisas que outras pessoas irão te trazer.

Uma vez me falaram em “lembrança de sentimento”. Quase todas as vezes que eu me apaixonei, eu pensei que duraria para sempre. E o sempre durou, até simplesmente eu não lembrar mais.

Ter sido

Estar sendo,
No breve momento,
Teria sido o que não fosse ser
Sem ter sido o que se foi desde então.
Mas já sendo,
Tenho que ser o que fui
Sem ser o que se era antes
De ser o que sou agora.
Porém só tenho a dizer que
O sendo me é agora o que fui antes,
Não sendo mais como era
Depois de ser o que fui antes de ser essa agora.
E o ser há de existir,
Pois a saudade ainda o é,
E não deixará de ser desde então.
E se a saudade ainda é, só será se for de ti.

Bilhete de embarque

É a pele queimada.
O sol da praia.
O nó descendo pela garganta.
A camisa marcada.
O dente.
O sorriso.

E mais uma vez aquele avião.
A mala.
O horário.
A espera.
O abraço.
E o adeus.

É a camisa queimada.
O nó no sorriso.
A pele marcada.
O aperto dos dentes.
O abraço de adeus.
E o caminhar.

Traço

Que balbuciar a noite trouxe,
Que palavra mal dita,
Que traço mal feito,
Se é de cansaço que me fado,
Se é de espera que me alimento.

Que bocejar incessante me traz a meia noite
Se é na hora que corre que desfaço o meu alento
Se é na vaguidão das ruas que encubro o sentimento
Se é nos olhos que não me vêem que procuro
Cessar esse tormento.

Se é de asa que se faz nesse momento,
De que me vale agora o encanto,
Se não te fez ficares.
Do que me adianta buscar-te,
Se não é por mim que esperas?

Pra que tantos sorrisos,
E telefones indecisos,
Desculpas disfarçadas e esfarrapadas.
Pra que tanto descaso, se é no acaso
que o amor nasce.

Se é só tua boca que pára esses anseios,
A distância que se perde entre os meios,
O asfalto que corre pra tua casa
O carro sem destino que te encontra,
Aonde o amor descansará primeiro?

Então há de balbuciar a palavra
No traço cansado que na espera boceja.
Traz a vaguidão para os olhos com tormento.
E o encanto de ficares e buscar-te
Ao esperar o teu sorriso indeciso e disfarçado.

E no descaso da tua boca
Entre a distância e o asfalto
Mora o amor.

E se...

Será que ele entende as sutilezas das letras?
Será que ele sorri apertando os dentes?
Será que quando beija sente o esmagar dos lábios na gente?

Será que quando se ausenta está distante?
Será que fechará os olhos com os meus sonhos?
Será que esquecerá dos outros dias?

Saberá lidar com o tormento?
Será que esquecerá as conversas de intervalo?
Será que é a leveza do peso que permanece em mim quando ele ja foi?

A distância é o tempo da minha casa
Pra tua em metros de milhares de
Segundos que dariam a volta na terra
Se não fosse a ausência.

Torpor de saudades e ruas cheias de probabilidades
De serem você em carros marcados, bancos sentados.
Branco de ser vago.

Será que seis acasos manteriam-me perto?
Será que um 'não' me jogaria pra tão longe?
Será que em teu sorriso tem alegria?

Será que a paz que traz contigo não é a minha agonia?
E se você apenas viesse?
E se você apenas ficasse?

Será que tua boca distorceria o que tens no peito?
Será que o que bate em teu peito não é um pulsar de acrílico?
Será que repete os toques?

Será que o de dentro está vazio?
Será que ser oco é o que tens de melhor?
E se a vaguidão que te cerca é aquilo que me esmaga?

E se ter controle significar perder a verdade?
Será que de verdade se perderia?
Será que na verdade o teria?

Balizas no vento, é um contratempo
o teu compasso.
Sorrindo pro tempo, é na demora
abstrata que guardo aquele que é o inverso.

E se eu te esquecesse?
E se eu não lembrasse?
E se você viesse?

E se você ficasse?


Confissões sobre M.G.A

É quando sabemos que corremos riscos: Ao andar na rua, na BR, num bar, num carro, entre pessoas.
Corremos diferentes tipos de riscos todos os dias: O de encontrar alguém que queremos encontrar a muito tempo, de ser pego pela polícia com o documento atrasado, de bater o carro, de ir pra um lugar maravilhoso, de se apaixonar por alguém que no momento nem sabe o que esse verbo piegas e estritamente impulsivo significa.
O coração é um dos primeiros órgãos que sofre com a tomada da decisão que os riscos impõem, depois vem pulmão, estômago e intestinos. O corpo todo tem que assumir que tem cinqüenta por cento de chance para cada lado. E ele é afetado em cem por cento de qualquer metade. Mas não é sobre isso que eu quero falar. A pergunta que me vem sempre à cabeça é: Como impedir que o coração se parta?
É normal que após tantos relacionamentos e tentativas que não deram certo, estarmos indispostos a receber qualquer "intruso". Até mesmo dentro de nossa própria casa, que ao deixá-lo entrar, apresentá-lo a família, convidá-lo para sair com os seus pais, não fique clara e óbvia a sua intenção e a maneira como as coisas, de certa forma (boa ou ruim, depende do seu ponto de vista), estão se complicando para ambos (ou só mesmo um) lado. E como se desfazer disso tudo depois?
Como aceitar o fato de que, ao se encontrar cortado aos pedaços, você ainda tem que se deparar com um monte de lembranças pregadas em sua cabeça, como o fato de o carro dele estar parado em frente ao lugar que você mais adora ir e você para também e entra com uma desculpa qualquer só para poder vê-lo, com cópias desse mesmo carro andando pela cidade com placas diferentes, com o perfume dele em outras pessoas, com a rua da casa dele, com as músicas que tocavam no seu carro, com os tiques dele que ficaram em você? E o que deve ser feito com isso? Como é que se apaga? Como é que se esquece?
Falaram-me sobre defeitos, e algo como exaltá-los. Não funcionou comigo, porque entre tantos, eu não consegui achar nenhum que me incomodasse o suficiente para repentinamente acordar, pensar no mesmo e, BOOM, o sentimento foi embora.
A frustração com a atitude da pessoa funciona melhor do que qualquer defeito exaltado, mas ainda te deixa com aquela sensação, àquela que te sufoca durante a semana toda, e que qualquer pressãozinha estúpida do teu chefe, te faz chorar mais do que quando você perdeu alguma coisa importante quando era criança. Por isso que tem que ser montado um conjunto, porque é preciso se ter certeza de que aquela pessoa definitivamente não é a pessoa certa pra você. Um conjunto de erros, palavras mal ditas e malditas, atitudes inaceitáveis, chantagens, abraços que te faz arrepiar até os pêlos da nuca, aquela coisa explícita e estampada na cara de que você está completamente apaixonada por quem não deveria estar, aquele corpo que você fica observando quando ele se afasta do teu, aquele sorriso que parece que clareou a sala toda de tão lindo que é, aquele jeito de andar, de se mexer, aquela esquiva maldita, aquela indecisão, aquela confusão, aquilo tudo que complica o gostar e o querer tanto não estar gostando.
Ele é uma das pessoas mais maravilhosas que eu conheci até agora, e que apesar das chantagens, de gritar comigo no telefone, de pedir pra que eu o esqueça num ataque de raiva, de ter me deixado de lado depois de intrometimentos alheios, de ter problema em me escutar, de me fazer perguntas que fico sem reação pra responder, de ficar “mi bigaaaaando”, eu gosto dele ainda mais do que deveria gostar. Como se nada adiantasse. E ele vai carregar agora o peso de ser perfeito pra mim com todos os defeitos, até eu finalmente um dia esquecer que ele os tem. Já que esquecer faz parte do curso natural do término de qualquer tipo de relacionamento. Mas agora, eu não quero esquecer, a não ser que...
Estou, tentando conjugar para estava.

Diálogos

- É, devia ter uma espécie de AA pra isso. Pelo menos as pessoas se conheceriam.
- "Oi, meu nome é Carol, e eu estou aqui pra esquecer alguém."
- Rs. Tipo isso mesmo.

- Essa pessoa que você fala, é da faculdade? Do trabalho?
- Nenhum dos dois. É da rua. É da vida. Menos minha.

- Eu estava vendo demais outra pessoa pra ver alguém.

- Qual é a diferença de um segundo pra uma hora?
- 23 horas, 59 minutos e 59 segundos a mais pra ficar com você.

- A melhor que já tive.
- Essa conjugação é só pra quem já teve.

- Como alguém para de escrever numa vírgula? E a curiosidade do leitor, como fica? Que terminasse numa frase sem sentido, em reticências, interrogações ou interjeições exclamadas, mas numa vírgula? O mundo não pode acabar numa vírgula, só pode continuar!
- , (pode começar com uma?)

Entenda que

- Quando você apareceu eu já tinha olhado pro lado. E não me importava se você caminhava em minha direção, não era pra você que eu olhava. Não era por você que eu sentia. E olha, a culpa não é tua. A culpa é das horas, do tempo que atrasou a tua chegada. Do momento em que ela chegou primeiro. Essas coisas não se evitam. Talvez, se você tivesse chegado antes quando eu precisava que você viesse, talvez, mas talvez mesmo, teria sido você. E quando você insistiu em ficar, eu quis que você ficasse, mas só pra poder esconder o que eu sentia por ela. Tanto que eu não deixei você entrar. Eu a deixei parada na porta, mas não a convidei pra ficar. É complicado pra mim, pior ainda pra você. Quisera ter entendido isso com mais clareza. Mas o importante pra mim era somar. Somar você e ela ao mesmo tempo. Juntas num mesmo sentimento por mim. E era aí que eu poderia ter as duas. Só então quando parei e olhei pelo teu ângulo que eu pude ver que eu só poderia estar com você se isso fosse por inteiro. E eu só entraria pela metade porque a outra parte viajou de férias pra tentar juntar os pedaços por dentro. Eu queria que você entendesse que não deixamos uma pessoa apenas porque não a amamos mais, deixamos porque não dá mais certo. E esse certo é só o tempo que você consegue suportar a saudade. Se você consegue anular isso, meus parabéns, era porque realmente o tempo tinha acabado. Mas posso garantir que meses ainda é pouco. Anos. Anos só se forem muitos mesmo. Essa coisa de novo amor pra esquecer o antigo é furada. Não acredite nisso. Ainda mais vindo de nós, homens. O principal é o sexo. Eu fico com você o tempo necessário pra isso. Até que se canse ou que eu me canse. Mas o meu amor por ela ainda continuaria intacto. Isso é uma coisa que a gente sabe muito bem separar. Aposto que você já ouviu isso. Eu posso com certeza gostar de você, mas não me exija amor. Eu vou ser carinhoso, vou respeitar o teu tempo, vou te dar atenção, andaremos de mãos dadas, ás vezes. Iremos ao cinema, almoçaremos, jantaremos, sairemos juntos, te apresentarei aos meus amigos. Isso a gente faz por costume. Mas uma coisa você tem que fazer por você mesma: Não se iluda. Não crie expectativas. Não se apaixone tão depressa por qualquer pessoa. Você vai acabar encontrando um cara legal, nem que isso leve algum tempo. E se você tiver paciência, essa pessoa vai ser do jeito que mais combina com você. Mas não eu, e não agora. Não adianta ficar procurando alguém tão depressa. Saia, mas não muito. Se divirta. Faça cursos. Viaje, se der. Faça amigos. Esqueça que você precisa de mais alguém além de você. Isso vai te ajudar. Até aparecer alguém. Mas desde que isso não te machuque. Agora entenda, o problema não é você. Sou eu. Eu que amo outra pessoa. E você vai ter que aprender a lidar com isso mais de uma vez, talvez. Eu não vou dizer que és uma garota incrível pra você não ficar se perguntando o porquê então de não estar com você. Eu só quero dizer que você apenas não é ela. E eu quero estar com ela. Ela é a pessoa incrível que eu quero ter do meu lado. Então procure uma pessoa incrível para estar do seu. Se cuida e fica bem sempre. Até um dia.

Anotações e adeuses

E é assim que a vida segue: Sem mensagens, sem ligações e sem o beijo dela.
Cumprimos parte do acordo implícito da vida - sumir um da vida do outro sem que isso cause uma dor dolorida e dolorosa. Ir embora como quem sai por cima, com o peito estufado de um orgulho falso e cheio de raiva por não terem inventado a máquina que volta no tempo. Uma das cláusulas era o encontro casual, que nem é tão casual assim porque, você, depois de estar tão acostumado a acompanhar, já sabe ir sozinho pros mesmos lugares. Costume que é evitado por um tempo, se você começar a ler o artigo “esquecer”. E esse artigo é tão extenso por causa das tantas exceções que tudo se resume ao tempo. E o que eu sinto por ela são anotações que prego pela casa, pelo trabalho, pela faculdade, por ruas, no meu carro, nas pessoas, nos bares pra onde saio, em meus amigos, e em mim. Mas não cheguei a ler as instruções de como despregá-las. Acho que nem existe esse capítulo. Acaba ficando tudo pregado e misturado com outros lembretes que foram e serão pregados. E é quando você está mexendo nos papéis antigos que aparecem aqueles escritos de três anos atrás em letras grandes de eu te amo. E tudo se mistura de vez. Tudo se complica sem ser complicado de fato. E é aí que você começa a ver o que é saudade. Essa parte dói. Lateja. É uma dor pior que a de bursite ou qualquer outra “ite” que você tenha. E te leva a definição de lágrima e tristeza como coisas latentes uma na outra.
E a única coisa que eu sempre quis foi amá-la, num tempo presente e sempre disposto.

Caras e Bocas

















Tantas caras a gente tem.

De tantos jeitos podemos ser.
Qual é o rosto que eu preciso usar
pra dizer que eu te amo?

Fragmentos

Se o corpo se cobre de desvios,
e a atenção se dispersa pela multidão,
onde estará você?
É prisão de letras no coração,
pesado de nomes por bater.
Será o troco então?

Se a indecisão te acompanha pela mão,
e te esconde pelas sombras,
onde estará você?
É medo de não ter-se só,
traçando rotas pra fugir.
Será o descuido então?

Se a vontade de não perder te impede de deixar,
mas te faz acenar adeuses pra quem quer ficar.
Aonde estará você?
E na voz gelada ao telefone ligar para
Aquecer-te as partes frias de estar só.
Será egoísmo então?

E se no peito pesa o que os lábios anseiam,
com rumores estreitos, calados nos dizeres.
Onde estará você?
Se com a boca te afastas, e julgas o próprio gostar.
Te faz morder os lábios ao invés de beijar.
Será vontade então?

Se a lembrança que não se apaga,
de um rosto que me consome.
AONDE ESTARÁ VOCÊ?
E na pele da cor do sol querer encontrar
um lugar quente pra ficar.
Será saudade então?


E se eu te beijasse?

domingo, fevereiro 08, 2015

Amor Propaganda

Descobri que tem pessoas que se perdem quando se deparam com um sentimento que às vezes a gente brinca que só pode ser encontrado em filmes. Mas, como em todo filme que envolve comédia romântica e drama, tem sempre alguém que se ferra no final. 
Todo mundo cultua o amor romântico, espera por ele ansiosamente, achando que pode encontrar na outra pessoa a resolução de todos os males do mundo, inclusive do próprio mundo. E esse é o fardo mais pesado que se pode carregar, pois não há como curar as dores de dentro construídas ao longo de tanto tempo. 
O amor das propagandas foi a maior invenção da humanidade pra nos convencer de que não nascemos e não morremos sozinhos. Foi o maior mito que já que existiu para fazer com que nos relacionássemos de forma civilizada e regrada com os outros seres humanos. E quando o padrão muda? E quando a pessoa é exatamente aquilo, que no auge da sua abstração sobre relacionamentos, você imaginou, ela não serve, pois, pra sociedade, ela não se encaixa no padrão capitalista de amor propaganda que se difundiu lentamente, e que foi construído e absorvido pela maioria das pessoas inconscientemente, não serve. Não serve porque não é consumista, não serve porque gosta de mato, não serve porque prefere plantas e animais do que gente, não serve porque gosta de sexo, não serve porque se comunica claramente, não serve porque sente tudo muito intensamente. E o pior de tudo é que esse sistema faz com que essas pessoas acreditem que são desajustadas, que não servem pra viver nesse mundo porque não tem o carro do ultimo ano, não tem o emprego que paga zilhões de dinheiro, não tem a roupa que a modelo da passarela usa, não calca o sapato da moca da novela. Não serve porque gosta de ser educada com quem quer que seja, não serve porque se comunica com estranhos, não serve porque não se encaixa no padrão que hoje em dia se chama de "Soma": seu dinheiro somando com o meu, e foda-se se um dia a gente se amar. 
Nós esquecemos dos seres humanos e do potencial que cada um pode ter. Esquecemos que uma pessoa pode manter a outra viva, que você pode impulsioná-la, que pode torná-la melhor. Esse imediatismo recorrente, de que tudo já tem que vir pronto, que nossa sociedade esta submersa, têm escondidos todos os detalhes, todas as características, todas as possibilidades, todas as pessoas boas que podiam dar o sentido e a definição do que o verdadeiro amor realmente é.

quarta-feira, abril 09, 2014

Arco-íris


Eu tenho certeza de que as cores que a luz reflete são as fagulhas de desejo que escapam de dentro de ti, e que o teu entorno se movimenta como se fosse ondas de um arco-íris. Seus raios se projetam em pessoas capazes de sentir os teus impulsos e a frequência dessas ondas excita como se tocassem piano em suas peles.  Então você produz um som, uma expectativa advinda da vontade de sentir os teus pulsos, de ouvir a tua música e de experimentar as tuas cores que colorem todos os tons cinzas da minha vida. 
Apesar de se sentires perdida, a tua presença é como se fosse gotículas de chuva em um dia de sol, e quanto mais ele brilha, mais ela reflete as setes cores do teu arco-íris. 
Mesmo que se sintas cinzenta, a sua luz ilumina e persiste dentro de mim, e eu sei que você é uma das mais belas melodias que esse mundo já ouviu, e que talvez você não saiba disso, então eu poderia te dizer para se olhar mais no espelho e se encantar com a luz que brilha dentro de você, talvez você ouviria o som que toca dentro do seu peito como se fosse uma sinfonia de cores, e então você me explodiria de tanto desejo de absorver as tuas notas e sentir você.
Eu tenho certeza de que a atmosfera cedeu o lugar para o teu cheiro, pois ele preencheu cada vão desse mundo, assim como as tuas cores. Eu inspiro o máximo que eu posso para preencher todos os meus buracos com o ar que fez com que a terra cedesse o lugar pra ele, e então eu posso te sentir dentro de mim e em todos os lugares.

quinta-feira, junho 27, 2013

Olhar Clandestino

Kiss Me by Jason Walker on Grooveshark

Eu te olho pelos cantos, investigando os seus detalhes como se você fosse uma nova descoberta. Eu sei que eu não posso te encarar de perto, a ponto de sentir seus pêlos se arrepiarem, mas eu te olho de longe como se a vida girasse em câmera lenta, e eu conseguisse ver os seus mínimos detalhes. E você nem vê que está sendo olhado.
Você nem sente o campo abstrato que te envolve como se fosse música, cercando-te por todos os lados,  num gesto completamente invisível. É como se eu me impregnasse pela tua essência, sufocando de tanta ânsia de saber sobre você.  E você nem tem consciência de que está sendo olhado. 
Eu te olhos através dos outros nesse intuito afoito de tentar imergir no seu campo abstrato e sentir cada pedaço do seu mundo para poder te contemplar profundamente. Pisando de brincadeira pelos teus passos no intento de perceber os detalhes das coisas como você as vê, e assim conhecer mais sobre você. E você nem percebe que está sendo olhado.
Eu te vejo até de olhos fechados, como se você possuísse um poder osmótico e gravitacional ao mesmo tempo, mas como todo corpo no espaço, eu tendo a ficar em sua órbita sem poder chegar até você, mas meus olhos clandestinos cingem as suas extensões...

E você nunca vai saber que está sendo olhado. 



sexta-feira, abril 12, 2013

Cor de malandro


Tens o sol nos olhos porque a noite
Não te deixas dormir.
E eles brilham feito os raios claros,
Reluzindo o talho que teu peito
Está a encobrir.

Tens o gingado certo de menino esperto,
Que crê que o incerto é só
o que está por vir.

Sei que brincas de fazer sombra
Quando acendes as velas pra espantar a dor
Que na hora que o barulho cessa,
E a luz cede, sei que tu te perdes
Na escuridão do seu torpor

Tens a esperança de memórias tantas
Que suas lembranças percam
tanta saudade dela.

E esses olhos negros que se perdem na claridade
Da razão e da sobriedade enchem a noite
de quietude e tranquilidade.
Eu sei que eles lutam contra a sensatez e a espera,
enquanto eu encaro a sua timidez inusitada e sincera.

E é só você que tem essa cor malandra
pregada na pele, que pinta o meu samba
Com as cores de Botticelli.

sábado, março 02, 2013

Matéria Escura

Como os planetas mergulhados na matéria escura do universo, são as pessoas aqui da terra. Estamos imersos numa manta invisivel que nos afasta da teia da sorte e nos prende no caos do acaso. A matéria escura forma o esqueleto do universo ajudando a fixar os planetas, assim como a gravidade prende nossos pés aqui na terra. Acredito que também há uma manta invisível que rege nossas vidas dentro da luz visível do sol, e na ausência dela. E que ela fixa a nossa jornada através da materialização da nossa existência, impondo uma órbita a ser seguida por uma força maior, assim como a força da gravidade incide nos planetas. E certas coisas não acontecem conforme planejamos pois quanto mais afastados estivermos do nosso propósito, menor será a intensidade dessa força. Por isso a trajetória é importante, para que sejamos lançados num movimento de queda eterna, ou seja, para fazermos nossa vida entrar em órbita.

terça-feira, dezembro 20, 2011

Entropia

Todo caos que nos ronda faz da gente um lugar sem significado. A bagunça faz com que a ordem natural dos acontecimentos se inverta. E quando o arranjo das coisas está ao contrário, o fato de sentir qualquer tipo de coisa nos confunde. A desordem revela a verdadeira entranha do nosso caráter. Se alteram o curso que você espera pra sua vida, a confusão que está dentro de você se revela.  E é na fenda que se abre no teu peito que pode realmente ser vista a pessoa que você esconde lá dentro.
A origem do caos está impressa na força que o seu instinto tem sobre a tua vontade, sobre o seu medidor de certo e errado. Quando não consideram o certo  e o errado apenas uma convenção.
Nós vivemos numa teia de acontecimentos imprevisíveis e incontroláveis. Carregamos a vaga sensação de um futuro já previsto pela rotina, e descartamos incoscientemente qualquer hipótese de caos. A desordem está  à espreita. Sondando os segundos dos relógios.

sábado, novembro 12, 2011

Abstração

Como pode um sentimento durar tanto tempo? Com todas as aulas de fisiologia e textos de psicologia na cabeça, acredito que a exposição à uma doença, um fato, uma pessoa, uma lembrança te faz ficar melhor em relação aquilo. É até um tipo de psicoterapia se expor às lembranças que te deixam para baixo. Ouvi relatos de que os pacientes melhoram. E se ficam como eu fiquei, realmente melhoram. Mas os sentimentos não somem. Você aprende a lidar com eles. E no auge disso tudo, eu apenas queria uma imunização. 
Meu cérebro vive da abstração. Ele recria todas as situações (somente as boas) de estarmos juntos. Constrói memórias que nunca existiram para poder fazer de você uma pessoa melhor pra mim. E esses momentos que nunca tivemos foram reconstruídos dos segundos que eu fiquei olhando pra você enquanto ainda podia te tocar. Nem tudo o que eu lembro é verdade, mas a reação que o meu cérebro desencadeia faz parecer verdade para o meu corpo. E isso gera uma coisa parecida com a saudade. 
Você virou uma fotografia. Um momento congelado. E eu sei lidar perfeitamente com toda essa lembrança, mas eu só não consigo fazê-la ir embora. Eu fico depressiva quando me lembro de você porque eu queria estar contigo, só que a interação de todas as vidas da terra, o bater da asa da borboleta de Tókio, e até mesmo Deus não quis que ficássemos juntos. Se nenhum deles quiseram, então por que é que eu não posso simplesmente te esquecer? Essa capacidade de ficar criando situações que nunca presenciamos não vai me ajudar em nada disso. Eu quero te abstrair, não te recriar.

sexta-feira, setembro 30, 2011

A predisposição do amor

O coração bate até mesmo quando não está apaixonado. Apesar da paixão ser considerada um combustível potente por muitos, talvez não seja bem assim. Existe um sentimento anterior a paixão e ao amor que daremos o nome de sentimento latente. Por que latente? Porque esse sentimento está oculto até mesmo para a pessoa que está sentindo. Ela sabe que sente, mas não sabe definir o que sente.
Esse sentimento latente se manifesta quando você sente um prazer e um conforto imenso de estar ao lado de uma pessoa que você nem sequer conhece direito, mas tem a sensação de que sempre estiveram por perto. Se pudéssemos falar para a pessoa uma frase que defina o que sentimos, essa frase seria "eu sinto uma lacuna por você" ou "eu estou completamente confuso por você". 
O sentimento latente é mais intrigante, sem compromisso e pode durar apenas um dia ou um mês. E se somado com tristeza pode até ser confundido com um repentino amor. É um sentimento que chega com uma manha sutilmente ardil, é confuso. Ele te deixa desconfortavelmente à vontade perto de alguém. 
Esse sentimento é bem mais energético e repetitivo quando se está sozinho. E quando você o sente por alguém estando comprometido, ele vira o sentimento "poderia ser". E pode ser dissipado facilmente já que não é tão intenso quanto a paixão. A única coisa a fazer é perder o foco. Perdendo o foco, não há mais sentido desse sentimento existir porque ele se alimenta do tempo que você passa pensando no que poderia ser se esse sentimento fosse outro. Não existindo foco, não existe sentimento latente. 
A probabilidade desse sentimento virar amor é muito grande. Só que um amor de 40. Aquele amor que não precisa abalar o mundo da outra pessoa pra existir. Um amor que existe pelo compromisso, pelo afeto e pelo carinho que se tem pela outra pessoa. 
O sentimento latente é uma predisposição ao amor. É quando ele evolui e você sabe que pode amar alguém sem clichês, sem competir com o vizinho a imensidão do amor, sem se sentir inseguro, contrariado ou explodindo de emoção. 
O sentimento latente é o estímulo, e em alguns casos o amor é a resposta.

Sentimento Repetido

Se você tiver paciência para prestar atenção na maneira como os sentimentos te influenciam, você poderia perceber que as tuas ações e reações se tornam cada vez mais pensadas e menos sentidas. Nós precisamos entender o que estamos sentindo, e para entender temos que ter sentido aquilo pelo menos algumas vezes na vida. Acredito que também exista um conhecimento adquirido pelos nossos pais, e que a maneira como eles nos educam também influencia na maneira como sentiremos as coisas. Tem pais que ensinam os filhos a aceitarem as decepções de uma forma mais branda. Coisa que o tempo pode curar. Já outros pais entendem que o fracasso é algo inadmissível, e que não se pode aceitar a derrota nunca. Nenhum dos dois está errado. Só que dependendo da ênfase que for dada, o filho pode entender que perder sempre é normal ou insuportável. E tudo o que precisamos é de um meio-termo. 
O conhecimento da emoção que estamos sentindo te livra de viver uma situação que já foi vivida. Você conhece o roteiro. Sabe que se alguém te abandonar, você irá se sentir magoado, com raiva, o coração acelerado e uma coisa ruim no estômago e no peito. Você precisa entender isso. Eu sei que não é fácil. Mas se você voltar os olhos um pouco mais para dentro de si mesmo, verá que a mágoa e a raiva passam. O coração desacelera e a coisa ruim no estômago some. 
As pessoas não possuem uma bola de cristal, é preciso entender que você não pode controlar o sentimento que alguém poderá te causar, mas você pode conhecê-lo. E se você conhecer esse sentimento, é bem mais fácil de controlá-lo. Alguns chamam isso de mecanismo de defesa. Por exemplo: Quando você ama demais alguém, e de uma hora pra outra o relacionamento finda, você fica arrasado. Você sofre, xinga, chora, fica remoendo o término do romance por um mês e depois isso acaba. Pronto. Você já não sente mais nada. Quando você inicia outro relacionamento, você já sabe quais são as coisas que te machucam, então você as evita. E mesmo que esteja preste a sentir toda aquela insegurança de novo, você simplesmente para de pensar naquilo e se distrai com outras coisas mais importantes. Você já sabe como agir diante da mágoa, e sabe o que fazer pra ela passar.
As coisas que passamos durante o dia são importantes para aprendermos a conhecer os nossos sentimentos, não estou dizendo que isso fará com que você se conheça melhor, mas já é um bom começo. Nós precisamos prestar mais atenção nas emoções que as pessoas causam na gente. Isso quase sempre some depois de um tempo. Não importa quando tempo, sempre some. Também não estou falando pra ser cruel com todo mundo e sair fazendo o que bem entender. Até porque não é todo mundo que tem paciência de prestar atenção naquilo que sente, e dependendo do que você fizer você pode se dar mal. Estou me referindo mais às coisas que nos fazem sofrer. Que nos deixam com o coração partido. Essas coisas merecem ser conhecidas, analisadas e arquivadas para nos ajudar depois, se por acaso precisarmos fazer uma varredura completa dentro de nós mesmos para saber como lidar ou não lidar com situações futuras. Não é guardar rancor. É guardar experiências (depois de entendê-las).

terça-feira, setembro 13, 2011

Amor Volúvel

É raro o amor surgir em duas pessoas ao mesmo tempo. Tem gente que chama isso de alma gêmea. Eu chamo de sorte. Muitas pessoas estão sem sorte  nesse momento. Ou então acharam que esperar o tempo certo era o ideal e faria com que a sua metade aparecesse. Decidiram esperar, e depois de alguns anos queriam alguém do tempo errado pra ficar junto. 
Tem gente que se esforça tanto pra ser amado por alguém que não o ama que perde a noção do que é o amor em si. Às vezes você precisa das dores da rejeição pra saber distinguir quem gosta de você de quem não gosta. E muitas vezes o gostar ainda é confundido com essa indiferença porque nos fizeram acreditar que as pessoas são orgulhosas demais para admitirem o que sentem ou que estão confusas.
O problema de não ter certeza é que você acaba dispensando uma vida que seria legal de se viver junto pela comodidade de estar comprometido com alguém que não se encaixa em você, pelo fato de que os anos decifraram todos seus segredos e que eles não teriam que fingir um começo para ser sincero no final. 
Ninguém mais sabe o que é o amor. Estamos todos confusos. Há conceitos demais. As revistas que trazem reportagens sobre o comportamento humano, os filmes, os livros, criaram um manual do amor. Só é amor o que bate com os itens, o que aparece na novela, o que está escrito nos livros.
O mais estranho de se ter sentimento por alguém pela definição do mundo é que o amor acaba. Vai um, vem outro. Se você não ama mais alguém, amará outra pessoa. E isso sempre acontece. Parece que o amor é uma estrada de mão dupla, onde só tem um carro que vai e muitos outros carros que passam.  Mas que deveria ter só um outro carro na contramão.
A realidade é que nunca estamos satisfeitos com o que sentimos. Pensamos que poderia ser mais: Mais legal, mais divertido, mais forte, mais intenso, mais romântico, mais sexo. Começamos com pouco, evoluímos pra muito e acabamos em nada. E o ciclo se repete infinitas vezes.
Será mesmo que o amor é tão volátil? Quando pensamos no amor, imaginamos algo permanente. Algo constante. Mas a forma como começa e como acaba e como começa de novo, faz parecer o amor algo inconstante. Qual seria então o verdadeiro sentimento?
Tem vezes que temos uma atração tão forte por alguém que a facilidade de sair um eu te amo bem sonoro se multiplica em zilhões de vezes. Você tem até o direito de sentir uma coisa estranha no estômago, mas quando passa é embaraçoso. É fútil. Como se você tivesse pego uma doença por uma semana, ou por meses.
Conheci pessoas que conseguiam amar mais de uma pessoa. A argumentação foi plausível, mas o sentimento é diferente. Sentir atração por alguém é facilmente confundido com amor. Até porque a atração, no sentido real da palavra, é uma 1. Força que faz com que um corpo se desloque para ir a outro. Como lutar contra essa força? Como evitar essa força? Como não confundí-la com o amor? É triste dizer, mas só o tempo e o arrependimento pra responder. Mas a gente não se arrepende de tudo também. Só quando você viu que o seu erro foi, de fato, a maior burrice que você já fez. Mas o que é certo e errado quando se gosta de alguém? Eu não sei. Só sei as coisas que não são legais de serem feitas. E mesmo assim, se o impulso for muito forte, o teu raciocínio vai fazer uma viagem pra china. E te deixa aqui, sem o lado racional da vida.  
E então, o que é o amor?

sábado, setembro 03, 2011

Versão Original

Não é difícil compreender a vida se você é um espectador. Eu sempre quis entender o objetivo de viver sem ter que procurar na literatura uma opinião que se molde ao meu pensamento ou que molde o meu pensamento. Aceitar uma opinião formada, escrita e publicada é bem mais fácil do que tentar compreender o que se é apenas olhando de dentro pra dentro. Eu sempre desconfiei muito das pessoas. E sempre falei sobre o amor com desengano. Foram as definições que existem que me fizeram ter essa falta de conceitos pra entender a vida. Eu tenho uma ótica de dicionário, não de vida. Todas as minhas opiniões foram emolduradas e moldadas por outras pessoas. O que me assemelha, eu guardo. O que me contradiz, eu descarto. Mas sempre em cima da opinião de alguém. Não importa o que eu fale, eu sempre terei a palavra de alguém na boca. 
Como entender a vida sem as definições? Sem as racionalizações? Eu entendo que nós precisamos da fala e da escrita, e que é preciso definir os comportamentos, ajustar um padrão. Mas ás vezes parece que todas essas palavras e jeitos me excluem, e que a forma como eu sinto as coisas, se não for parecida com toda essa experiência de 4 bilhões de anos que a terra carrega, não se é. Não existe. Ou simplesmente me caracterizam como uma sociopata, ou alguém com um transtorno qualquer. Não é querer ser diferente. É ser uma peça quadrada e sem encaixe pra esse quebra-cabeça que existe. Mas, ainda assim, ser uma peça. Igual aos outros.
Como ter uma visão do mundo e das pessoas sendo alguém sem influência externa? Como entender o sentimento cru? Eu não quero desprezar a nossa língua e a nossa bagagem de aprendizados, só queria saber como é o amor e as outras coisas apenas conhecendo-os por dentro de dentro. Não sei como isso seria possível, mas eu apenas não quero mais uma versão.

terça-feira, agosto 16, 2011

O enterro do amor


Tem um sábado que guardou todos os sentimentos pra ele. E embora eu gritasse doze vezes que não queria vê-la partir, meu coração batia doze vezes mais rápido ao abraçá-lo. Eu senti o vazio ao ver parte do meu coração naquele caixão e as asas das borboletas batendo no meu estômago esperando ele chegar. Um dia cheio de despedidas. Tchaus breves, e pra sempre. Uma despedida que me enterrou junto, e que até hoje cavo dentro de mim tentando achar, de novo, o coração. Acho que me confundi, eu pensei que o amor tivesse morrido naquele dia. E você lá. O amor morrendo, e você lá. Eu tonta, e você lá. Eu pálida, e você lá. Eu desnorteada, e você lá. Eu vazia, e você lá. Eu sozinha, e o adeus lá. Eu e o adeus juntos. Eu, e Deus com ela. Eu e o amor morrendo. Eu e a tontura. Eu e a palidez. Eu sem chão. Eu e o vazio. Eu e o adeus e ela com Deus. E eu? E eu? Eu não sei responder. 
O amor morreu no dia doze de dezembro de dois mil e nove. Morreu de insuficiência. Morreu de câncer. Morreu por descuido. Morreu de tristeza. Morreu de vazio. Morreu de descaso. Morreu de coração parado. E vai ficar pra sempre enterrado.

quinta-feira, junho 09, 2011

Desconforto

O que você pensa influencia muito na maneira como as coisas acontecerão. Eu fico analisando as pessoas e a forma como elas se relacionam com a própria vida, e me vejo afundando num mar de probabilidades. Será que elas sabem exatamente aonde estão indo ou só eu que pareço estar flutuando nessa imensidão de escolhas?
Dizem que é importante traçar objetivos. Traçar uma reta até as coisas que realmente importam. Mas e quando a tradução do que você é também é uma interrogação? 
Parece ser tão fácil ter objetivo quando você sabe o que é realmente importante. E como eu fico pensando que é uma sorte estar vivo nesse mundo, nada consegue ter tanta importância (exceto a saúde e a segurança das pessoas que eu amo). Todo mundo escolheu algo, eu que não escolhi nada fico com a filosofia shakesperiana na cabeça, parafraseada: "Qualquer coisa serve". Não que eu vá optar seguir uma vida sem caráter algum, eu sei a relevância de um bom relacionamento com os "bons atos", eu só não sei o que fazer com o resto de tudo. 
A dedicação que uma pessoa tem pelas coisas que faz muda todo o cenário em volta dela. Apesar de que eu vejo a nossa sociedade com olhos nebulosos. As coisas verdadeiras estão embaçadas, e eu não consigo ver claramente a essência que faz com que os atos de todos tenham algum significado.
Eu procuro alguma coisa, mas eu não sei o que encontrar. Tento entender por que a nossa sociedade funciona dessa maneira, e se eu estou de fato fora de órbita. Se eles sabem o que estão fazendo, por que eu não sei? Eu li num livro que quando perdemos um de nossos pais, aquele com quem temos uma conexão mais intensa, é normal sentir-se perdido e desajustado. Só que eu não quero por a culpa apenas nisso, eu entendo o tamanho (oitenta por cento) da parcela que a morte da minha mãe tem no meu atual estado de ver o mundo, mas talvez tenha algo mais. Ou talvez seja unicamente isso, porque eu me lembro de ser outra pessoa quando ela ainda estava aqui. Eu tinha um conflito mais ameno em relação ao significado de tudo. Não existia toda essa perturbação e auto-exílio. O desconforto era causado pela falta de pessoas, não pelo excesso. Agora multidões me incomodam. Pessoas superficiais me desconfortam. Eu desaprendi a conversar. Fico imaginando o que eu poderia dizer, e como dizer, mas o porquê dizer acaba não me deixando falar sobre coisas que normalmente são ditas numa conversa. O que eu poderia falar? Sobre o que as pessoas normalmente conversam? Eu já não sei mais. E o que eu tenho a dizer não é tão interessante pra quem não está também fora de órbita.
Quase ninguém se interessa pela sua confusão. Ninguém é obrigado também. O mundo vive em total desordem acobertado por uma legislação que mal funciona, quem se interessaria em saber se a vida do próximo está uma bagunça? Cada um é o próprio sol. Só que  ninguém admite isso. Fingimos ser altruístas, e a nossa sociedade parece funcionar muito bem assim. Espero estar errada.

quarta-feira, novembro 03, 2010

Derrelição

Nem que seja mínimo o espaço
A dor ausente me é áspera na partida tangível ao desamparo
É o toque feito sentido de tato. Relapso agrado da distância
São essas letras. Essas miúdas que se espremem da sua boca
Essa palavra esmiuçada nos dedos
O cantar em uníssono do segredo
Densidade ríspida nos pêlos

Faço-te cálido
Corpo robusto atravancado
Rígido no meu espasmo
Faço-te cheio

Forjas a cicatriz do peito ao abandono
E o riso a despedaçar-te na triste ignorância do sentido
Aquele sentido feito de tato, te lembras?
Aquele que por desagrado, perdestes
É que esqueceram que tem um tal de acaso
Na rua, descalço, calado
esperando, sentado

Quem sabe se 
Casualmente
Talvez
Eu

quarta-feira, junho 09, 2010

Caixinha de palavras

Nós poderíamos guardar o que as pessoas falam numa caixa. Ficaria fácil revirar todas as frases e entender o que querem realmente dizer. Se bem que é tudo questão de entrelinhas. Ninguém é tão claro a ponto de falar o que realmente quer. Queremos sempre ter tudo com textos subjetivos. E nunca está nos planos magoar os outros. É difícil saber lidar com o que falam. Apesar de ser um amontoado de palavras, você tem que processar tudo de uma maneira bem literal, mas então a interpretação tem que ser subjetiva. E todo esse subjetivismo não tem nada a ver com você. Tem a ver com o subjetivo da outra pessoa. Ou seja, não é o que você tem que entender pelo simples jeito de como as coisas são, é o que a pessoa quer te falar (de maneira maquiada) pra você entender da maneira dela, excluindo o fato de que você pode interpretar tudo da sua forma. Excluindo o teu subjetivismo. Não sei que nome se dá pra isso. Mas é chato não conseguir entender o que a outra pessoa realmente quer com você. 
A indecisão só existe para as coisas que você não tem certeza de que são boas. Aquilo que é ruim, e que você tem certeza de que é,  você simplesmente diz não. Um não bem literal. A indecisão é amiga íntima da subjetividade. Como você pode saber de algo que só é relativo ao sujeito, de algo que só está dentro dele? A gente não tem tradutor pra isso. E todo mundo é assim, até mesmo eu. 
E mesmo que o mundo fique completamente literal, a esperança de que as coisas possam mudar embaralha tudo dentro de você. É chato e complicado. Como será que a gente muda isso? 
Sem dicas, sem esperanças, nem planos, eu espero que possamos entender a maioria das coisas da maneira correta.

segunda-feira, maio 31, 2010

Patético

É isso que a paixão faz com a gente. Ela nos deixa tristes iguais a zumbis andando pelo supermercado numa segunda-feira a tarde. De repente tudo fica pesado, o céu fica nublado trazendo consigo uma brisa fresca e a lembrança de que você ainda está sozinho. É como ter o seu coração rejeitado na hora do almoço por alguém que está diante de você dizendo que prefere ficar com a saudade ao invés de ficar com o seu coração. Você volta pra casa com alguma coisa batendo no peito sem nem ao menos saber direito o que é. 
Ela nos deixa num estado incapaz de tomar decisões benéficas para nós mesmos. Ficamos a disposição de uma mensagem ou uma ligação. E quando enfim a mensagem chega, e seu coração aos pulos imagina ser notícias dele, é a sua operadora informando-te de alguma promoção. Frustrado, você presta mais atenção do que deveria nas letras das músicas tristes que não param de repetir no som da sua casa.
Ela te deixa parado nas portas, encostado nas paredes, de bruços nas mesas, andando pra cima e pra baixo nos corredores. Deixa-te fazer convite ao vento. Te faz escutar alguns nãos. Colocar músicas com letras garrafais nos sites de relacionamentos pra tentar mostrar algo que provavelmente ele nem irá entender. 
Ela te faz cancelar ligações, apagar mensagens. Faz você acreditar que está sendo piegas ao tentar dizer pra ele que se ele te pedisse pra ficar, você ficaria. Ela julga errôneamente os sentimentos alheios, e te faz acreditar em coisas que não são reais. Faz com que você interprete todos os sinais de forma errada. 
Resumindo: Faz com que você pareça patético.  


sábado, maio 29, 2010

Regra de três

"Pode-se ver a mesma pessoa num curto intervalo de tempo, nunca mais que três vezes. Ou anos e anos deixando passar um período de três semanas a cada encontro." Regra de três do personagen Tomas (do livro "A insustentável leveza do ser" - Milan Kundera)  para não se apaixonar. Talvez seja uma tática válida. Mas me disseram que se apaixonar é algo que independe da nossa vontade. Seria bom pensarmos (ou conseguirmos) que pudéssemos controlar as coisas que acontecem. É fato que você cria mecanismos como: "ah, ela saiu de um relacionamento de cinco anos", "ela está mais focada no crescimento profissional" e etc. Mas se apaixonar é realmente algo que independe da sua, da nossa vontade: "Ela se apaixonou, é só isso. Num minuto ela estava casada, no outro tinha uma pessoa na frente dela que ela não podia ignorar, não importa o quanto tentasse." Não podia ignorar nem que tentasse (leu bem isso?), nem pelo trabalho, nem pelo fato de estar casada, nem por nenhuma outra desculpa esfarrapada. Essas coisas acontecem sem querer.
Quando você se envolve com alguém que inventa desculpas, tire o proveito do que acontecer sem criar expectativas. Uma coisa é você ter alguém que está ali por você, outra coisa é ter alguém que só está ali pra fazer sexo com você. Não se contente ou se iluda de que está pelo menos recebendo carinho de alguém. Esteja certo das tuas intenções pra não cair em falso, pra não ficar chacoalhando o ticket da sua passagem enquanto as intenções da outra pessoa correm pra bem longe de você. As pessoas enviam sinais o tempo todo. Ficar sozinho é opcional hoje em dia. Amar alguém que realmente valha a pena, e ficar do lado dessa pessoa é que é difícil. Não pense que por estar sozinho você mereça qualquer mínima coisa que aparecer. Se for pra ter pouco, se for pra ser incompleto, se for pra ser unilateral, fique sozinho. Se for pra ficar com alguém cheio de desculpas, esteja ciente de que aquilo é só algo pra amenizar algumas vontades básicas e não fique por muito tempo também. Há um grande risco de você acabar confundindo tudo ou se acomodando. Mas o ideal mesmo seria ficar sozinho por completo e completo. A história da humaninade romantizou demais o relacionamento, o casamento, duas pessoas. Foi isso que ferrou inteiramente com os nossos corações. Aprender que não deve apaixonar-se pelas pessoas erradas é uma coisa que leva um certo tempo. Espero que o teu tempo já tenha acabado. E que o meu tempo esteja acabando. Tenha uma outra certeza também: Você vai ficar bem, sozinho ou não, você ficará.

quarta-feira, maio 26, 2010

Falling deeper and deeper in love

Existe uma distância entre duas pessoas que apenas sentem desejo uma pela outra. Se você olhar de longe, vai parecer um precipício. E apaixonar-se é ter coragem de pular nesse vazio. Se você opta por ficar apenas na beirada, o seu coração está seguro dentro do teu peito. Se você quiser pular, certifique-se de que há passagem para dois. Pular sozinho é suicídio. É ato impensado. E fazer o outro pular é crime hediondo, ainda mais quando você não tem a mesma intenção ou só vai atravessar o abismo com uma tirolesa. 
Às vezes você pula por achar que se der o primeiro passo, a pessoa pulará logo atrás de você. Enquanto você está caindo, olhando pra cima, talvez você veja os sinais de incompreensão que ficou na criatura que não pulou contigo. Você sabe porque pulou, mas ele não entendeu o porquê de você ter feito aquilo. E o abismo te engole. É uma queda e tanto pra quem está caindo sozinho. 
Mesmo que vocês tenham dito coisas próximas a eu amo, o pronome de segunda pessoa que vem depois do verbo, que nesse caso tem que vir acompanhado de um substantivo próprio, é importante pra definir as coisas. Mais ou menos assim: Eu amo VOCÊ, FULANA. Isso não deixa dúvidas. É definitivamente passagem pra dois. Você tem um ticket, ele tem o outro. Pronto. Boa sorte. Pule! Com os olhos abertos, mas pule. 
E antes de pensar em cair de amores por alguém, faça um convite. Se não der, pega toda a sua energia e vá estudar. Ou viajar. Ou ler. Ou dançar. Você que sabe. As coisas vão continuar acontecendo a sua volta, você estando triste ou não. Não é fácil, mas ninguém disse que é tão difícil também. Aproveite sua vida, e de preferência aprenda a fazer isso sozinho.
Tatue "Enjoy your life" e vá viajar. O resto acontece.

terça-feira, maio 25, 2010

Qual é o nome do filme?

Normalmente quando algo passa diante dos nossos olhos, não enxergamos tão de repente. Tem aspectos que vemos, e tudo funciona como se fosse uma imagem embaçada e distante. Uma imagem em camera lenta que depois irá se repetir infinitas vezes na nossa cabeça. E a beleza está na maneira como a imagem passa espaçada. Onde você pode prestar atenção apenas nos detalhes. 
A imagem parece uma fotografia que se move lentamente.  Você consegue ver a particularidade de cada dobrinha da boca. A singularidade do sorriso. O piscar lento dos olhos que ficam te olhando. Fitando-te. Consegue ter a sensação pausada do abraço. Sentir o gosto doce da saliva. O toque quente das mãos. 
São essas lembranças que parecem filmes lentos que ocupam toda a tela do nosso cérebro, e que impedem que outro filme rode na sua cabeça. 
Eu tenho um filme que já está ficando velho e manchado, e que ainda assim insiste em ficar rodando na minha cabeça.  Preciso de um filme novo. De preferência que não seja um drama, mesmo que seja dos bons. Se eu pudesse escolher, escolheria uma comédia romântica. Estou cansada de filmes tristes. Quero poder dar risada pra variar.

terça-feira, maio 18, 2010

Blá blá blá

A maioria das pessoas tem medo de falar aquilo que sentem por alguém. Ninguém quer dar o braço a torcer por aquilo que se sente escondido. Ás vezes todo mundo sabe, menos quem deveria saber. E até que você fale, nada será verdade para a pessoa por quem se sente seja lá o que for. Quando você fala algo é como se você pegasse aquilo que você sente, colocasse numa caixinha, embrulhasse e entregasse de presente pra alguém. O que você sente vai ter sido entregue, e não mais pertencerá a você. Estará nas mãos da outra pessoa. E até que ela decida o que fazer com aquilo: se vai usar ou colocar de enfeite na estante, o tempo vai passando pra você. E dependendo de como passar, o que foi feito com o que você sentia não importará mais. 
Acho que o mais interessante é não deixar que nada fique dentro de você. Mesmo que você faça cálculos, espere alguns meses, um ou dois anos. O importante é falar quando você achar que chegou a hora de tirar de você, e entregar pra quem aquilo realmente pertence. Nem sempre adianta muito, mas aliviar a pressão que as palavras te causam já é confortante. 
O tempo cura tudo, até o amor. Falar não vai ser nada demais daqui algumas semanas. É igual notícia de jornal: Vai ter alguém que irá guardar, mas quase todo mundo joga no lixo. E no final, vai acabar tudo fazendo parte do passado mesmo. Um dia você também vai esquecer que já deu o que você sentia de presente pra alguém. Então fale, repita se necessário. Mas não deixe nada guardado dentro de ti.

quinta-feira, maio 13, 2010

Ódio visceral [linkizinho - clica aqui]

Engraçado como é a nossa satisfação. Quase nunca estamos contentes. Gostamos de ter alguma dor ou qualquer preocupação que seja. Elas preenchem o nosso vazio. A dor que deixa a gente oco também tem suas razões. A raiva é um dos sentimentos que libera adrenalina. Ficar com raiva é viciante. O coração dispara, a coordenação motora se atrapalha toda. Uma descarga de adrenalina no corpo é relaxante por causa da calmaria que vem depois que ela passa. É quase como fazer sexo. É excitante.

Quando a gente tem o coração vazio é fácil sentir outras coisas intensamente. Você não tem um foco. Uma pessoa pra te sacudir e dizer: Vai com calma. É tudo na base da explosão. E quase sempre a gente perde a razão, e normalmente é por coisa boba. E depois quando tudo passa, você acaba rindo da situação. E fica pensando como pôde ter sido tão bobo. Chega até dar sono.
Raiva saudável não dura mais do que três dias. E o legal é que mesmo quando não se está com raiva, a explosão de anteriormente pode ser usada como desculpa. Então é aí que entra a indiferença. Tem coisas que te afetaram tanto que depois que elas perdem a razão de ser, elas se tornam indiferentes. 
A indiferença é um grande indicador de que aquilo que você sentia já não tem mais nenhuma importância. Você não querer saber o que acontece com o causador da sua raiva é um delicioso prazer latente. Algo que você não sente mais, e que não se dá conta de que não está mais sentindo. Aquilo simplesmente não existe pra você. É um estado de uma pessoa a quem tão pouco importa uma coisa como o contrário dela. E o fato de não saber que se sente por não mais se sentir, é íncrivel. É brilhante. Esse é o maior dos prazeres de quando a raiva passa.

terça-feira, maio 11, 2010

Despedida

Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente, seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro, com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva, já que ainda estamos tão embrulhados na dor que não conseguimos ver luz no fim do túnel.
A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel. A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços, a dor de virar desimportante para o ser amado. Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida: a dor de abandonar o amor que sentíamos. A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre, sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também.
Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou. Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém. É que, sem se darem conta, não querem se desprender. Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir, lembrança de uma época bonita que foi vivida. Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual a gente se apega. Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis, mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo, que de certa maneira entranhou-se na gente, e que só com muito esforço é possível alforriar.
É uma dor mais amena, quase imperceptível. Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’ propriamente dita. É uma dor que nos confunde. Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos, que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.
Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo. É o arremate de uma história que terminou, externamente, sem nossa concordância, mas que precisa também sair de dentro da gente. E só então a gente poderá amar, de novo.

(Marta Medeiros)

domingo, maio 09, 2010

Por isso está aqui, para esquecer alguém?

E dizem que é verdade que quando você se afasta, você esquece alguém. Não quando se está envolvido platônicamente. A escada que você constrói para ter esse alguém é tão alta que você fica até com medo de altura e desiste de subir. Nunca é bom subir num lugar alto sem devida proteção. Então você concorda que o bom mesmo é ficar no chão. Desiste de subir e fica sentado ao pé da escada esperando um dia dar as costas pra ela, ou espera subir pra cair e ficar estatelado e machucado no chão, ou correr o risco de subir e dar certo (a opção mais impossível). Viu, essa ala dos parênteses é para aqueles que foram até a metade de escada, cairam e ainda estão estatelados e machucados no chão. É, eu sou uma dessas pessoas. Sou da ala dos parênteses. Mas já subi duas vezes até o fim da escada. E acabei caindo lá de cima no final. Acho que as pessoas sempre caem. Por mais que fiquem passeando durante algum tempo no jardim do relacionamento e da união, acabam dando uma tropeçada certeira e caindo escada abaixo. E quando resolvem tentar de novo vêem que faltam alguns degraus, e não dá mais pra subir. Não há 'band aid' que cole isso.
O coração da gente fica aos tropeços. Esbarrando em números, placas, lugares. Tudo isso é parte da escada que você não pode subir. Algo que você construiu com tanto esforço e pensamento e que não pode ser seu. Às vezes eu chego a pensar que é o nosso pessismismo que faz com que as coisas não dêem certo. Porque quando você coloca algo na cabeça e mentaliza, o mundo dá as voltas necessárias para aquilo um dia ser seu. Ser pessimista nunca ajudou em nada. O que faz com que chegamos a conclusão de que não queremos subir na escada. Gostamos do fato de podermos tentar subir pra não aceitar a idéia de que está tudo fechado pra reforma e passarmos por aquilo como passamos por qualquer prédio em construção: Indiferentes.
Nós gostamos de sofrer por amor porque o mundo se apresenta mais leve e mais romântico. Esquecer alguém que não se tem é fácil. O difícil mesmo é ter que ficar repassando as coisas pra lembrar que você está apaixonado por alguém que não quer estar apaixonado por você. E com isso sofrer e se identificar com  alguma parte da população mundial que também sofre por amor não correspondido.

Imitando conselhos

O mundo vai te afetar de alguma maneira sempre. E leve em consideração a afirmação de que tudo um dia passa. Faz parte do tempo fazer com que esqueçamos as coisas. E pra alguns parece que ele age mais rápido. Mas tudo se supera, e se ajeita de alguma maneira. Os outros irão apontar o dedo. Vão falar que você é um fracassado, que tudo o que você faz está errado. Mas é a indiferença em relação ao que os outros dizem é que vai te levar pra frente. Conheço muita gente que com palavras mudaria a situação do mundo inteiro, mas que na prática só sabe ficar na internet e vendo tv. Pra quem só sabe assistir, é fácil ficar vendo e julgando a vida dos outros. E tudo o que te falam é quase sempre o que nunca fazem. E se não fazem por que deverá ser o melhor pra você então? Você também tem que saber prestar atenção nessas pessoas. Você não vai nem precisar se esforçar tanto pra saber quem realmente é que está ao teu lado. Um semblante e uma intuição dizem muitas verdades sobre alguém. E essência não se muda. Então aprenda a fixar bem esses teus olhos. 
As pessoas normalmente se aproveitam da bondade dos outros. Falta caráter na maioria delas. Esquive-se das que estão com você pelas coisas que você tem. 
Vão ter as que irão te abandonar porque não querem fazer de você uma escora. E é por essas poucas sinceras que existem que sofreremos mais. Porque o amor pelo próximo também é isso. E novamente o tempo vai te ajudar com isso. 
A tua família vai sempre te ajudar e te amar por mais errado que você esteja. E aquelas que possuem uma certa firmeza vão mostrar a verdade mais descaradamente do que as outras. O resultado no final será sempre o mesmo: Ver-te bem.
Não seja bobo. Seja você mesmo independente de qualquer coisa, e siga o seu coração. Aprenda a ler a bondade nos outros. E só fique do lado de quem vale a pena estar. Faça as coisas por alguém que você sente e sabe que faria a mesma coisa por você. Não fique do lado de pessoas que arrumam desculpas o tempo todo. Repito: Fique com quem vale a pena estar. E todo o resto ficará bem também.

sexta-feira, maio 07, 2010

O fim daquilo

A gente tem que se entender. O final de tudo é sempre o mesmo: O fim daquilo. Às vezes é bom saber que as coisas acabam, porque as que perduram quase sempre te deixam doido. Até mesmo o amor. Esse pode te deixar louco de felicidade. Ou não. A falta dele te deixa maluco de tanta solidão. Só não é legal o sentimento que dura em você quando o assunto é a morte. Quando alguém te deixa por horas, é aterrador. Quando alguém vai embora por anos, é angustiante. E quando alguém te deixa pra sempre é algo sem palavras. É o tempo que fica parado nas horas que passam depressa. Tudo o que você sente quando você perde alguém é o mundo girando em sentido contrário. Voltando no tempo. Você não vive mais o futuro, vive o passado. Tudo fica dando loops, girando e girando, voltando e voltando cada vez mais no tempo. Tudo fica ao contrário. E é quase como se você se enterrasse também. Eu fico pensando naquele coração que parou, que se recusa a bater. No coração que está debaixo da terra que eu já não vejo pulsar. Você sente vontade de tocar, de ver, de sentir, de ouvir a voz. E o único lugar onde você sabe que tem alguma coisa do que foi a pessoa que você tanto amou, e tanto ama sem nem sequer ao menos poder fazer o normal do cotidiano da vida das outras pessoas, é num pedacinho de terra de onde ela não mais sairá. Saber que ela está num caixão me sufoca. Eu tenho lembranças demais. Tenho 22 anos e três meses do que me lembrar. E eu queria poder ter tido mais mil anos ou muito mais do que isso.

"Eu aprendi a ter tudo o que eu sempre quis, só não aprendi a perder. E eu que tive um começo feliz, do resto não sei dizer."

quinta-feira, abril 08, 2010

Insensatez do coração partido

A gente esquece mesmo quando quer esquecer. As lembranças que ficam na gente são aquelas que fazemos questão de guardar. O bom mesmo é se cansar de sentir. Cansar de esperar, de ficar sempre do lado de fora esperando na chuva. Normalmente as pessoas que não se importam com a sua presença, não deveriam ser pessoas importantes pra você. E não dá pra gostar de ser um tanto faz, um step das horas vazias e solitárias da vida de alguém.
Quando você se importa com alguém, o cansaço pode vir somado com noites em claro e horas a fio levando sermão do seu chefe que o seu corpo inteiro se desperta.
O sentimento unilateral é diferente. Só uma pessoa está disposta. Só uma se doa. A que recebe o faz quando convém. Tudo é questão de conveniência pra quem simplesmente não se importa.
Tem pessoas que parecem maldições (não de coisa ruim, mas de algo difícil de se tirar) na vida de outras pessoas. Como se todo o sofrimento durante anos fosse recompensado ao ficar junto por apenas algumas horas. E sofre-se então mais anos depois. Isso não é amor. Soa mais como egoísmo. Egoísmo porque você quer algo que não quer você, e isso te faz querer provar que você pode ter, sem nem ao menos essa coisa tentar ou pensar em algo com você. Isso parece mais com despeito. E quanto mais você tenta, mais você se afunda. Vira tudo incerteza, tudo pra outra hora, tudo pra depois. E você deixa coisas de agora em prol de alguém que irá te deixar pra depois. Não é insensato isso?
Faça o que o Fernando Pessoa disse que tem que ser feito:
"Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és. E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão."

segunda-feira, março 29, 2010

What's on your mind?

O primeiro passo pra você esquecer algo, é não lembrar dele. Tem gente que constrói uma máquina de tortura em volta de si mesmo pra ficar relembrando cada detalhe de algo que não deu certo. Seria bem mais fácil se você apenas tentasse esquecer. Eu sei que se você quer esquecer uma coisa que está dentro de você terá que entender que tudo o que você sente sofre uma influência do que vem de fora. Abstraia-se. Foque a tua atenção em outra coisa. Entenda que tudo, mas tudo mesmo, só depende de você. A opção de sofrer é tua. 
Sofrer não é uma condição que te impuseram, é uma escolha exclusivamente tua. Você que terá que se levantar um dia, sacudir a poeira e dizer: Agora eu vou seguir em frente. 
Tem uma frase de Shakespeare que diz assim:  "Aprende que não importa em quantos pedaços o seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte". 
Sofrer é como se fosse uma vacina onde é injetado uma bactéria ou um vírus inativo em você, e as suas células que produzem anticorpos são acionadas para conbater esse agente agressor. E o seu organismo irá produzir uma memória imunológica contra esse virús ou bactéria. Gerando assim uma certa imunidade. Depois que você sofre muito uma vez, o teu corpo irá criar uma memória imunológica contra a dor 'que desatina sem doer'. Não se desespere. Tudo passa. E passa mesmo. Coisas, pessoas, lugares. Nada disso é certo na sua vida. Aí vai um discurso do Steve Jobs para uma turma da Universidade de Stanford, EUA, sobre encontrar o que você ama, depois de ter passado por muitas coisas "ruins": 
Sinto-me honrado de estar com vocês hoje na sua formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei. Verdade seja dita, isso é o mais próximo que eu cheguei de uma formatura de faculdade. Hoje eu quero contar pra vocês três histórias da minha vida. É isso. Nada de mais. Apenas três histórias. 

A primeira história é sobre ligar os pontos.

Eu abandonei a Universidade Reed depois de 6 meses, mas fiquei por perto por cerca de outros 18 meses antes de eu realmente ir embora. Por que eu saí?
Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma universitária jovem e solteira, e ela decidiu me doar. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas formadas, então tudo foi arranjado para que eu fosse adotado assim que eu nascesse por um advogado e sua esposa. Só que na hora que eu apareci eles decidiram no último minuto que eles queriam mesmo era uma menina. Então meus pais, que eram os próximos da lista de espera, receberam um telefonema no meio da noite perguntando: “Nós temos um menino, vocês o querem?” Eles disseram: “Claro”. Minha mãe biológica descobriu mais tarde que minha mãe nunca se formou e que meu pai sequer completou o Ensino Médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só cedeu alguns meses mais tarde quando meus pais prometeram que um dia eu iria para a universidade.
E 17 anos depois, eu fui. Mas ingenuamente eu escolhi uma universidade que era tão cara quanto Stanford, e todas as economias dos meus pais de classe média estavam sendo gastas na minha formação. Depois de seis meses, eu não conseguia ver valor naquilo. Eu não tinha a mínima idéia do que eu queria fazer da minha vida e menos ainda de como a faculdade iria me ajudar a descobrir. E aqui estava eu gastando todo o dinheiro que meus pais economizaram a vida toda. Então eu decidi sair e confiar que tudo daria certo. Na época foi bem assustador, mas olhando agora eu vejo que foi uma das melhores decisões que eu já fiz. No minuto que eu saí eu pude parar de ir às aulas que não me interessavam, e começar a freqüentar aquelas que pareciam interessantes.
Não foi tudo um mar de rosas. Eu não tinha dormitório, então eu dormia no chão do quarto dos meus amigos, eu devolvia garrafas de coca por cinco centavos para comprar comida, e eu caminhava mais de 11 quilômetros pela cidade todo domingo de noite para conseguir uma boa refeição por semana no templo Hare Krishna. Eu adorava. E muitas das coisas em que eu esbarrei por seguir minha curiosidade e intuição acabaram sendo valiosíssimas mais tarde. Deixe me dar um exemplo:
A Universidade Reed na época oferecia talvez o melhor curso de caligrafia no país. No campus, cada pôster, cada marca em cada desenho, era magnificamente feita à mão. Como eu havia abandonado e não precisava mais ir às aulas normais, eu decidi ir ao curso para aprender a fazer aquilo. Eu aprendi sobre fontes serif e san serif, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, tudo sobre como criar uma ótima caligrafia. Era lindo, histórico e artisticamente sutil duma maneira que a ciência não pode capturar, e eu achei fascinante.
Nada disto tinha sequer uma esperança de ter qualquer aplicação prática na minha vida. Mas dez anos depois, quando nós estávamos desenhando o primeiro Macintosh, eu lembrei de tudo. E nós desenhamos tudo dentro do Mac. Foi o primeiro computador com bela tipografia. Se eu nunca tivesse assistido àquele curso na faculdade, o Mac jamais teria múltiplas fontes ou fontes proporcionalmente espaçadas. E como o Windows copiou tudo do Mac, provavelmente nenhum computador teria. Se eu nunca tivesse abandonado a faculdade, eu jamais teria entrado na aula de caligrafia, e computadores não teriam a maravilhosa tipografia que eles possuem. Claro que era impossível ligar os pontos adiante quando eu estava na universidade. Mas ficou muito claro olhando pra trás dez anos depois.
Com efeito, você não consegue ligar os pontos olhando pra frente; você só consegue ligá-los olhando pra trás. Então você tem que confiar que os pontos se ligarão algum dia no futuro. Você tem que confiar em algo – seu instinto, destino, vida, carma, o que for. Esta abordagem nunca me desapontou, e fez toda diferença na minha vida.

Minha segunda história é sobre amor e perda.

Eu tive sorte – eu descobri o que gostava de fazer logo cedo na vida. Steve Wozniak e eu fundamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha vinte anos. Nós trabalhamos duro, e em dez anos a Apple cresceu de apenas nós dois numa garagem para uma companhia de 2 bilhões de dólares com mais de 4000 funcionários. Nós havíamos lançado nossa melhor criação – o Macintosh – um ano antes, e eu recém havia feito 30 anos. E então eu fui demitido. Como você pode ser demitido da companhia que você fundou? Bem, como a Apple cresceu nós contratamos alguém que eu pensei ser muito talentoso para administrar a empresa comigo, e durante o primeiro ano as coisas funcionaram. Mas então nossas visões do futuro começaram a divergir e eventualmente nós nos desentendemos. Quando isso aconteceu, nosso Conselho Diretor ficou do lado dele. Então, aos 30 anos eu estava fora. E de forma bem pública. O que havia sido o foco da minha vida adulta inteira havia acabado, e foi devastador.
Eu realmente não sabia o que fazer por alguns meses. Eu senti que eu havia desapontado a geração anterior de empreendedores – que eu tinha deixado cair o bastão que havia sido passado pra mim. Eu me encontrei com David Packard e Bob Noyce e tentei pedir desculpas por ter estragado tudo. Eu era um fracasso amplamente divulgado, e até mesmo pensei em fugir da Vale do Silício. Mas algo lentamente começou a se mostrar pra mim – eu ainda adorava o que fazia. Os eventos na Apple não mudaram isso nem um pouquinho. Eu havia sido rejeitado, mas ainda estava apaixonado. Então eu decidi começar de novo.
Eu não vi isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter me acontecido. O peso de ser bem-sucedido foi substituído pela leveza de ser um principiante novamente, menos seguro sobre tudo. Libertou-me para entrar em um dos períodos mais criativos da minha vida.
Durante os cinco anos seguintes, eu fundei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar, e me apaixonei por uma incrível mulher que se tornaria minha esposa. A Pixar criou o primeiro filme de desenho animado totalmente feito em computador, Toy Story, e agora é o estúdio de animação mais bem-sucedido do mundo. Em uma memorável seqüência de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei pra Apple, e a tecnologia que nós desenvolvemos na NeXT está no coração do recente renascimento da Apple. E Laurene e eu temos uma família maravilhosa juntos.
Tenho certeza que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple. Foi um remédio de péssimo gosto, mas eu acho que o paciente precisava. Às vezes a vida te acerta na cabeça com um tijolo. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me manteve em pé foi gostar do que eu fazia. Você tem que encontrar o que você gosta. E isso é verdade tanto para o seu trabalho quanto para seus companheiros. Seu trabalho vai ocupar uma grande parte da sua vida, e a única maneira de estar verdadeiramente satisfeito é fazendo aquilo que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um ótimo trabalho é fazendo o que você ama fazer. Se você ainda não encontrou, continue procurando. Não se contente. Assim como com as coisas do coração, você saberá quando encontrar. E, como qualquer ótimo relacionamento, fica melhor e melhor com o passar dos anos. Então continue procurando e você vai encontrar. Não se contente.

Minha terceira história é sobre morte.

Quando eu tinha 17 anos, eu li uma frase que era algo assim: “Se você vive cada dia como se fosse o último, algum dia você vai estar certo.” Ela causou uma impressão em mim, e desde então, pelos últimos 33 anos, eu tenho olhando no espelho toda manhã e perguntado a mim mesmo: “Se hoje fosse o último dia da minha vida, eu faria o que eu vou fazer hoje?” E sempre que a resposta tem sido “Não” por muitos dias seguidos, eu sei que eu preciso mudar alguma coisa.
Lembrar-me de que logo eu vou estar morto é a ferramenta mais importante que eu encontrei pra me ajudar a fazer grandes escolhas na vida. Porque quase tudo – todas as expectativas exteriores, todo o orgulho, todo o medo de passar vergonha ou falhar – todas essas coisas simplesmente ficam pequenas diante da morte, deixando apenas o que é realmente importante. Lembrando-se de que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço pra evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há motivo para não seguir seu coração.
Cerca de um ano atrás eu fui diagnosticado com câncer. Eu tive um exame às 7h30min da manhã, e ele claramente mostrou um tumor no meu pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas. Os médicos disseram-me que era quase que certamente um tipo incurável de câncer, e que eu não viveria mais que 3 ou 6 meses. Meu medico me aconselhou a ir pra casa e colocar meus assuntos em ordem, o que é o código médico para prepare-se para morrer. Isso significa tentar dizer pros seus filhos tudo o que você planejava dizer nos próximos dez anos em apenas alguns meses. Significa ter certeza que tudo está ajustado de maneira que seja o mais fácil possível para sua família. Significa dizer adeus.
Eu vivi com aquele diagnóstico durante o resto do dia. Mais tarde naquele mesmo dia eu fiz uma biópsia, onde eles enfiaram um endoscópio na minha goela, através do meu estomago e meus intestinos, colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha esposa, que estava lá, contou-me que quando os médicos viram as células debaixo de um microscópio, eles começaram a chorar, porque no fim das contas era um tipo muito raro de câncer pancreático que é curável através de cirurgia. Eu fiz a cirurgia e estou bem agora.
Isso foi a mais próximo que eu estive de encarar a morte, e espero que seja o mais próximo que eu chegue por mais algumas décadas. Tendo passado por isso, eu agora posso dizer isso pra vocês com um pouco mais de certeza do que quando a morte era apenas um conceito útil, mas puramente conceitual:
Ninguém quer morrer. Mesmo pessoas que querem ir pro céu não querem morrer pra chegar lá. E mesmo assim a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém jamais escapou. E é assim que tem que ser, porque a morte é provavelmente a melhor invenção da vida. É o agente causador de mudanças da vida. Ela elimina o velho para criar espaço pro novo. Agora o novo são vocês, mas não muito longe de agora, vocês gradualmente se tornarão o velho e serão eliminados. Sinto muito ser tão dramático, mas é a verdade.
Seu tempo é limitado, então não percam tempo vivendo a vida de outro. Não sejam aprisionados pelo dogma – que é viver com os resultados do pensamento de outras pessoas. Não deixe o barulho da opinião dos outros abafar sua voz interior. E mais importante, tenha a coragem de seguir seu coração e sua intuição. Eles de alguma forma já sabem o que você realmente quer se tornar. Tudo o mais é secundário.
Quando eu era novo, havia uma publicação incrível chamada The Whole Earth Catalog (O Catálogo Inteiro da Terra), que era uma das bíblias da minha geração. Ela foi criada por um sujeito chamado Stewart Brand não muito longe daqui em Menlo Park, e ele a trouxe à vida com seu toque poético. Era o final dos anos 60, antes dos computadores pessoais e seus editores de texto e impressoras, então ela era toda feita com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid. Era como um Google formato de papel de jornal, 35 anos antes do Google aparecer: era idealístico, e cheio de ferramentas legais e grandes conceitos.
Stewart e seu time publicaram varias edições do The Whole Earth Catalog, e quando chegou a hora, eles fizeram a edição final. Foi no meio dos anos setenta, e eu tinha a idade de vocês. Na contracapa da edição final havia uma fotografia de uma estrada de interior de manhã cedo, do tipo que você encontra trilhando se for aventureiro o suficiente. Nela estavam as palavras: “Permaneça faminto. Permaneça tolo.” Era a mensagem de adeus deles. Permaneça faminto. Permaneça tolo. E eu sempre desejei isso pra mim. E agora, que vocês se formaram, eu desejo isso pra vocês.
Permaneçam famintos. Permaneçam tolos.
Muito obrigado."

Tire algum proveito disso.